Portugal regista procura recorde por dívida pública em emissão sindicada

República acabou por emitir ‘apenas’ 4 mil milhões de euros a 10 anos na operação sindicada, mas procura dos investidores ascendeu a mais 49 mil milhões. Portugal pagou mais que há um ano.

Portugal registou uma procura recorde de quase 50 mil milhões de euros na emissão de dívida sindicada a 10 anos realizada esta quinta-feira, operação através da qual se financiou em 4 mil milhões, correspondendo a 17% da meta de financiamento deste ano.

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O IGCP adianta que foram dadas mais de 280 ordens (também um valor recorde) que superaram os 49 mil milhões de euros, incluindo 1,62 mil milhões do sindicato de bancos, numa transação que contou com o “maior livro de ordens até hoje para uma nova linha da República”.

Por outro lado, a agência liderada por Pedro Cabeços sublinha que o prémio de risco final se situou nos 37,9 pontos base em relação às obrigações alemãs, “o que representa o spread mais baixo em relação à Alemanha em emissões sindicadas de Obrigações do Tesouro desde 2007”.

Para este resultado, acrescenta, contribuiu a trajetória de melhoria do rating de Portugal nos últimos anos, incluindo 2025, que permitiu a “consolidação” do rating A. A dívida foi comprada sobretudo por investidores no Reino Unido (27,3%), França, Itália e Espanha (19%). Portugal absorveu 13,6%.

Portugal concluiu esta quinta-feira um financiamento de quatro mil milhões de euros através de uma emissão sindicada de Obrigações do Tesouro a dez anos, dívida pela qual irá pagar uma taxa de juro de 3,25%.

Tratou-se de uma emissão sindicada, com o IGCP a ter o apoio do Barclays, BBVA, BNP Paribas, CaixaBI, Citi e HSBC em toda a operação de financiamento. Portugal tem por hábito abrir o ano com uma emissão sindicada e este ano não foi exceção. Há um ano, numa operação do género, o Tesouro levantou quatro mil milhões de euros em obrigações a dez anos pelas quais pagou uma taxa de juro na ordem dos 3,1%.

Esta foi a primeira de três emissões sindicadas previstas para este ano, de acordo com o programa de financiamento de 2026 divulgado pelo IGCP. De acordo com esse programa, a necessidades de financiamento do Estado para 2026 ascendem a 29,4 mil milhões de euros em termos brutos, mais 14% em relação ao ano passado.

A agência liderada por Pedro Cabeços conta financiar grande parte dessas necessidades através de Obrigações do Tesouro, prevendo um mix de emissões sindicadas e leilões que permitirão levantar 24 mil milhões de euros nos mercados.

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