As sete “condições” que Portugal tem (e as que pode ter) segundo a mensagem de Natal do primeiro-ministro

Discurso natalício de Montenegro teve visão reformista e pediu “mentalidade Cristiano Ronaldo” para promover a excelência, a produtividade e a criação de riqueza. De fora deixou a lei laboral.

A segunda mensagem de Natal de Luís Montenegro enquanto primeiro-ministro foi mais virada para o futuro do que a anterior. O discurso natalício do líder do Governo centrou-se numa visão reformista e na “mentalidade Cristiano Ronaldo” para promover a excelência nacional, o aumento da produtividade e a criação de riqueza.

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Mas entre as reformas fiscais, salariais e da Administração Pública mencionadas, ficaram de fora as alterações à lei laboral, que é uma das bandeiras deste Executivo e motivou a primeira greve geral em 12 anos. De uma forma genérica, Luís Montenegro disse apenas que “não temos de estar todos de acordo, mas temos de compreender” que o mais importante é o interesse do país.

Perante as sete “condições” que Portugal tem – crescimento económico, estabilidade financeira, segurança, recursos humanos qualificados, apetência para as novas tecnologias, localização geoestratégica e capacidade de diálogo no contexto internacional – há que dar o salto (ou rematar para marcar golo, utilizando também as tais metáforas desportivas).

Segundo Luís Montenegro, é a criação de riqueza que permite criar melhores condições de vida para a população, nomeadamente na habitação, educação e saúde, e avançar no combate à pobreza. Um país com mais crescimento pode subir os salários, pode subir as pensões, pode apoiar a compra de medicamentos para quem mais precisa, pode negociar melhores carreiras profissionais, pode investir mais na habitação, na educação e investir melhor na saúde”, afirma.

Um país com mais crescimento pode proteger o seu património, as suas riquezas naturais, pode ser mais coeso e garantir justiça, mobilidade, e a segurança e defesa do seu território, das suas infraestruturas essenciais e críticas”, afirmou ainda o primeiro-ministro, dirigindo-se aos portugueses na noite de Natal.

A sua perspetiva é ambiciosa e também otimista. “Agora que vamos ter cerca de três anos e meio sem eleições nacionais, é a altura de todos nos focarmos em cumprir a nossa responsabilidade e fazer tudo para garantir a Portugal e a cada português um futuro mais próspero”, refere.

No ano passado, na sua estreia no discurso de Natal como primeiro-ministro, Luís Montenegro dirigiu-se aos portugueses com uma retórica de conquista e esperança nas políticas públicas de promoção do crescimento económico, valorização dos salários, investimento na habitação, escolas e hospitais e “imigração regulada”. Ainda assim, a mensagem destacou essencialmente o passado, o que contrastou com as palavras do Presidente da República a 1 de janeiro de 2025.

Enquanto Luís Montenegro enumerou o que foi alcançado em menos de um ano desde que havia tomado posse, sobretudo em matéria fiscal e de valorização dos ordenados, Marcelo Rebelo de Sousa, em reta final de mandato, optou por dar ênfase ao que ainda havia por fazer, nomeadamente no combate à pobreza. Ambos falaram de países diferentes. Na próxima semana, no arranque de 2026, o Chefe de Estado volta a discursar, mas será a última vez em Belém.

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