Depois de anos de “calvário” no Porto, metrobus começa a circular no final de fevereiro de 2026

O metrobus do Porto terá um período experimental gratuito em março e dará a volta à rotunda da Boavista, onde terá um veículo suplementar para iniciar o percurso.

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“Ao fim de um longo calvário, estamos em condições de anunciar que a fase 1 do metrobus [Casa da Música – Praça do Império] começa a funcionar no final do mês de fevereiro” de 2026 e de forma gratuita até 31 de março, anunciou, esta quinta-feira, o presidente da Câmara do Porto. O arranque acontece depois de “anos de inércia, irresponsabilidade e desrespeito pelos portuenses”, lamentou Pedro Duarte após a assinatura do memorando de operacionalização do metrobus.

Na reunião do Executivo da última terça-feira, o autarca social-democrata já tinha anunciado que esta quinta-feira estaria “em condições de apresentar soluções” para o metrobus, também designado por BRT (Bus Rapid Transit), e uma data de arranque da circulação da primeira fase. E assim foi.

Durante todo o mês de março de 2026, os portuenses vão poder viajar gratuitamente no metrobus, entre a Casa da Música e a Praça do Império, num percurso de 12 minutos, numa fase ainda experimental para acertar agulhas, avançou o presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes.

Os consecutivos atrasos têm sido motivo de polémica na Invicta. A primeira fase já deveria ter entrado em funcionamento em setembro de 2024, num modelo em que a STCP vai operar autocarros movidos a hidrogénio. O memorando de entendimento de operacionalização foi assinado, esta quinta-feira, pelo autarca Pedro Duarte, pelo presidente da Metro do Porto e pela líder da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), e Cristina Pimentel.

Uma das questões polémicas em torno do metrobus prendia-se com a inversão de marcha dos autocarros na rotunda da Boavista, em frente à Casa da Música. A solução definitiva para o BRT iniciar e terminar a operação nesta última estação foi apresentada aos jornalistas pelo presidente da Metro do Porto: “Foi retomado o projeto inicial, que previa que o veículo circundasse a rotunda de forma completa, mas haverá uma redundância de um veículo suplementar que estará à espera, na rotunda, quando o outro estiver a chegar [à estação Casa da Música]”.

Apesar de Emídio Gomes admitir que a solução encontrada “penaliza a eficiência do ponto de vista do desempenho material e até um pouco económico da operação”, foi ainda assim a melhor “para garantir aquilo que é essencial, que é o serviço à população dentro dos tempos estimados”.

Sobre a entrada em funcionamento do BRT no final de fevereiro, o presidente da Metro do Porto esclareceu: “Estão a decorrer alguns testes obrigatórios nos veículos no canal dedicado e no canal partilhado da Avenida Marcial Gomes da Costa”, além de ajustes na semaforização da rotunda da Boavista. Acresce ainda o facto de só haver “a garantia de fornecimento de hidrogénio, [fonte de energia dos veículos], a partir de 17 ou 18 de fevereiro”, justificou.

O abastecimento de hidrogénio será feito em São Roque da Lameira até julho, data prevista para a conclusão das obras da estação de produção de hidrogénio na Areosa.

Haverá uma redundância de um veículo suplementar que estará à espera, na rotunda, quando o outro estiver a chegar [à estação Casa da Música].

Emídio Gomes

Presidente da Metro do Porto

Enquanto o metrobus não circula na Avenida da Boavista, o canal tem sido utilizado por bicicletas e trotinetes que deixarão de o poder fazer. Pedro Duarte, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, admitiu que “vai ser muito difícil” encontrar “espaço para uma ciclovia”, referindo estar a tentar encontrar uma solução juntamente com algumas associações que que se dedicam a este tipo de mobilidade suave”.

Em cima da mesa está uma eventual partilha de espaço entre ciclovias e automóveis que o autarca considera “não ser ideal para algum tipo de utilizadores de ciclovia, como as crianças”.

O conjunto dos veículos e do sistema de produção de energia custaram 29,5 milhões de euros. Já a empreitada do metrobus cifra-se nos 76 milhões de euros.

Segunda fase do BRT arranca em agosto e com corredor verde alargado

no que toca à segunda fase, até à Anémona, que implicará uma viagem em 17 minutos, os prazos têm-se arrastado ainda mais. O presidente da Metro do Porto comprometeu-se, esta quinta-feira, com a data de 31 de agosto de 2026 para o arranque da circulação de modo a cumprir o prazo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Pedro Duarte sempre disse, durante a campanha eleitoral, e voltou a reiterar nesta sessão que “se pudesse voltar à estaca zero, evidentemente que [o projeto do metrobus] seria todo muito diferente”. Uma das questões prende-se com a segunda fase do projeto, que mantém o separador central junto ao Parque da Cidade e a circulação dos autocarros não em canal dedicado, como na primeira fase, mas juntamente com os automóveis.

Uma das hipóteses passa por alargar o corredor central, segundo o autarca. “Em toda essa zona vai ser respeitado aquilo que é o enquadramento paisagístico que já temos hoje na fase do Parque da Cidade, podendo mesmo alargar esse mesmo corredor central que está a ser fruído pelos portuenses através de uma ciclovia e de um espaço pedonal que é utilizado com muita frequência”, frisou.

“Vamos conseguir cumprir aquilo que foi o nosso propósito e a nossa intenção durante a campanha eleitoral”, vincou, comprometendo-se a ter mais espaços verdes na Avenida da Boavista, nesta segunda fase do metrobus.

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