Governo avisa que alterações ao TGV em Gaia não são “decisões unilaterais” do consórcio
Ministério das Infraestruturas afirma que as alterações "são objeto de avaliação rigorosa pelo Estado", garantindo ainda "uma posição firme da defesa do interesse público".
O Ministério das Infraestruturas vincou, numa resposta a questões do PCP, que as alterações propostas à linha de alta velocidade em Gaia não são “decisões unilaterais” do consórcio construtor, garantindo ter “uma posição firme da defesa do interesse público”.
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“As alterações propostas, tal como a globalidade dos desenvolvimentos constantes nos projetos apresentados pela concessionária, são objeto de avaliação rigorosa pelo Estado, não correspondendo a decisões unilaterais do parceiro privado”, pode ler-se numa resposta do gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, a questões do grupo parlamentar do PCP.
De acordo com o Governo, “a solução apresentada para a estação de Gaia em localização diferente da prevista na proposta base da concessionária será avaliada pelos seus méritos em função de estudos técnicos e encontra-se em análise visando fundamentar uma decisão final relativamente à sua aprovação a qual, nos termos contratuais, cabe ao parceiro público”.
As questões tinham sido enviadas em 28 de outubro, foram respondidas em 03 de novembro e consultadas esta segunda-feira pela Lusa, e relacionam-se com o facto de o consórcio AVAN Norte (Mota-Engil, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto) ter assinado, em 29 de julho, um contrato de concessão que prevê a estação de Gaia em Santo Ovídio e uma ponte rodoferroviária, mas apresentado depois proposta para uma estação em Vilar do Paraíso e duas travessias separadas.
Na proposta alternativa do consórcio o traçado também foi alterado, tendo agora menos componente em túnel (6,3 quilómetros) do que estava previsto no Estudo Prévio (11,4), o que causa impactos à superfície, sendo as demolições previstas 236, das quais 185 habitações e 45 empresas, e, dessas, pelo menos 136 são em Vila Nova de Gaia e no Porto, das quais 109 habitações e 27 empresas, contabilizou a Lusa.
O PCP questionou qual era “efetivamente o real envolvimento entre o Governo, a IP [Infraestruturas de Portugal] e o consórcio”, “como se está a proceder ao processo de decisão”, “como se explica que, já depois de vencer o concurso público, o consórcio tenha a possibilidade de redefinir o projeto à sua medida, alterando traçados e localização de estações à margem das populações, das autoridades (governo e autarquias) e do necessário debate público” e ainda “que garantias pode o Governo dar que as decisões respeitam os compromissos públicos e não resultam de pressões empresariais, e de que o interesse público não está, como tudo indica, totalmente refém de uma lógica de gestão privada”.
“Qualquer alteração só poderá ser adotada se demonstrar vantagens para o interesse público, cumprir os requisitos contratuais, ser admissível do ponto de vista técnico e financeiro e obter parecer favorável das entidades competentes, incluindo a decisão vinculativa da APA [Agência Portuguesa do Ambiente] no âmbito do RECAPE [Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução]”, assegura o Governo nas respostas.
De acordo com o gabinete de Miguel Pinto Luz, “o Governo mantém uma posição firme de defesa do interesse nacional”, pois o Estado “não abdica da sua prerrogativa decisória, nem do escrutínio permanente do cumprimento das obrigações contratuais”.
Assim, o ministério refere que o executivo “acompanha atentamente o desenvolvimento deste processo e continuará a garantir condições para que este projeto estruturante seja concretizado com plena salvaguarda do interesse das populações, das autarquias e do país”.
Na resposta ao PCP, o Governo refere ainda que “o processo encontra-se a ser conduzido no quadro contratual definido, cabendo à concessionária a elaboração dos projetos e à IP a respetiva análise e validação técnica, jurídica e financeira, bem como a salvaguarda dos requisitos do Estado enquanto concedente”.
A análise ao RECAPE está também a decorrer pela APA, que, segundo o Governo, “já distribuiu o processo pelas entidades competentes e deu início à consulta pública” que entretanto terminou a 11 de novembro com 259 participações, “num processo que se espera poder ser concluído até ao final do ano”.
A localização da estação de alta velocidade de Gaia e a solução de uma ponte rodoferroviária sobre o Douro, que o consórcio construtor quer alterar, está prevista desde setembro de 2022, aquando da primeira apresentação do projeto.
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