Elétricas apontam o dedo à operação da rede em vésperas de relatório do apagão

"Temos esperança que o relatório do ENTSO-E seja passível de transmitir as lições que todos temos que aprender", afirma, por seu lado, a REN.

As associações representantes das empresas elétricas em Portugal e Espanha, Elecpor e Aelec, respetivamente, apontam que, de acordo com as informações reunidas até ao momento, a falha que esteve na origem do apagão estará relacionada com a gestão da rede. A REN, a operadora do lado português, espera que o relatório sirva sobretudo para retirar “lições”, para um sistema cada vez mais complexo.

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É muito importante ter uma explicação concreta e oficial sobre o assunto“, para que se saiba o que se passou e para que sejam tomadas medidas que previnam que volte a ocorrer, indica Marina Serrano, presidente da Aelec, a associação que representa as elétricas espanholas, à margem do encontro anual da congénere portuguesa, a Elecpor.

As declarações são feitas dias antes de ser publicado o primeiro relatório preliminar sobre o apagão, elaborado pela ENTSO-E, a associação europeia dos operadores das redes de transporte de eletricidade, marcado para 3 de outubro.

A operação do sistema deve ser feita de outra forma“, defende, apontado que, até agora, a informação é de que o problema teve origem numa falha no controlo de tensão, que se produz no âmbito da operação do sistema, que está do lado da Red Eléctrica, a gestora de redes espanhola”.

No nosso entendimento, as centrais funcionaram com normalidade, seguindo as instruções do operador do sistema, que é ele que tem capacidade de operar”, remata. Sobre expectativas para o relatório que sai a 3 de outubro, a dirigente da Aelec assinala ainda que espera que sejam tidos em conta os elementos que têm sido disponibilizados pelas elétricas, e que sejam recolhidos todos os dados que explicam o que aconteceu no dia do apagão.

Do lado da Elecpor, a diretora-geral, Maria João Coelho, afirma que a perspetiva da associação “é de quem sofreu com o apagão com origem em Espanha”. Reforça que, do relatório de 3 de outubro, espera sobretudo “transparência e rigor na análise” e aponta, também, que a falha terá a ver com o controlo de tensão, “muito relacionado com a gestão da rede”. Sobre possíveis implicações e encargos, remete para depois das conclusões.

Temos esperança que o relatório do ENTSO-E seja passível de transmitir as lições que todos temos que aprender. Porque a Península Ibérica é um caso único“, afirma Pedro Furtado, diretor de estudos e regulação da REN, apontando uma percentagem de renováveis “sem paralelo” a nível europeu e a falta de interligações com o restante continente.

Com as renováveis, um diagrama que habitualmente era “todo certinho” passou a ser “uma pintura abstrata de imensas variações”. “Não há sistema que aguente isto de forma fácil. E, portanto, só queria dar aqui a dimensão, de facto, que a tarefa de gestão do sistema está cada vez mais complicada, por causa do fator tempo, e da magnitude das variações”.

Para colmatar esta situação, assinala que a REN já tinha previsto, em 2024, nos seus planos de investimento, a aposta em equipamentos para lidar com problemas como os que se suspeita que estão na origem do apagão. Em paralelo, “entendemos que o gestor do sistema também tem que ter meios de ação imediata que permitam acomodar o tempo de resposta necessário”, defende.

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