BCE revê em alta crescimento da economia da Zona Euro para 1,2% este ano

As novas previsões do BCE colocam a economia da Zona Euro a crescer mais 0,3 pontos percentuais do que apontava anteriormente e a inflação controlada, mas antecipam uma travagem da economia em 2026.

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira manter as três taxas de juro diretoras inalteradas pela segunda reunião consecutiva, mas as mais recentes projeções económicas revelam uma melhoria nas perspetivas de crescimento para este ano.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Num cenário onde “a inflação situa-se atualmente em torno do objetivo de médio prazo de 2%”, Frankfurt apresenta agora um quadro mais otimista para a economia da Zona Euro, revendo em alta o crescimento previsto para este ano, colocando o PIB da área do euro a crescer 1,2% face aos 0,9% projetados em junho.

“As mais recentes projeções elaboradas por especialistas do BCE apresentam uma imagem da inflação idêntica à avançada nas projeções de junho”, segundo o comunicado oficial. Os números são praticamente inalterados: “Apontam para uma inflação global de, em média, 2,1% em 2025, 1,7% em 2026 e 1,9% em 2027”.

Projeta-se que a economia registe uma taxa de crescimento de 1,2% em 2025, o que representa uma revisão em alta face ao valor de 0,9% avançado em junho.

Banco Central Europeu

Comunicado do Conselho do BCE de 11 de setembro de 2025

Já a inflação subjacente, que exclui os preços voláteis da energia e alimentação, deverá registar valores ligeiramente superiores: “Relativamente à inflação excluindo preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares, indicam uma média de 2,4% em 2025, 1,9% em 2026 e 1,8% em 2027”.

Esta estabilidade nas projeções contrasta com as previsões de junho, quando o BCE esperava uma inflação de 2,0% para 2025, 1,6% para 2026 e 2,0% para 2027. A ligeira revisão em alta para este ano reflete uma economia que mantém alguma pressão inflacionista, embora dentro de parâmetros controlados.

A principal surpresa das novas projeções surge no crescimento económico. “Projeta-se que a economia registe uma taxa de crescimento de 1,2% em 2025, o que representa uma revisão em alta face ao valor de 0,9% avançado em junho”. Esta melhoria de 0,3 pontos percentuais nas perspetivas para este ano sinaliza uma resiliência da economia europeia superior ao inicialmente estimado.

Para os anos seguintes, o quadro é misto, com o BCE a notar que “a projeção para o crescimento em 2026 é agora um pouco inferior, situando-se em 1%, enquanto a projeção para 2027 se mantém inalterada em 1,3%”. Face a junho, quando Frankfurt previa 1,1% para 2026, a revisão em baixa sugere cautela sobre os desafios de médio prazo que se avizinham.

Abordagem “dependente dos dados” mantém-se

Apesar das melhorias nas projeções de crescimento, o BCE reforça a sua estratégia cautelosa. “O Conselho do BCE está determinado a assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo”, notando ainda que “Seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para decidir a orientação apropriada da política monetária”.

Esta posição “wait and see” é justificada pela necessidade de avaliar continuamente os riscos. Como especifica o comunicado do BCE, “as decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas — à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados –, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária”.

A melhoria das perspetivas de crescimento para 2025, mesmo num contexto de manutenção das taxas, sugere que a economia da Zona Euro demonstra sinais de vitalidade que poderão sustentar uma trajetória de estabilização nos próximos trimestres.

A decisão de manter as taxas inalteradas surge num momento de particular tensão geopolítica na Europa, com a intensificação do conflito na Ucrânia e a instabilidade política em França. Estes fatores, combinados com as incertezas sobre as políticas comerciais americanas, explicam a prudência de Christine Lagarde e do seu conselho.

As taxas permanecem assim inalteradas: 2% para a facilidade permanente de depósito, 2,15% para as operações principais de refinanciamento e 2,4% para a facilidade permanente de cedência de liquidez.

A melhoria das perspetivas de crescimento para 2025, mesmo num contexto de manutenção das taxas, sugere que a economia da Zona Euro demonstra sinais de vitalidade que poderão sustentar uma trajetória de estabilização nos próximos trimestres, ainda que o BCE mantenha a porta aberta para ajustamentos futuros conforme a evolução dos dados económicos.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

BCE revê em alta crescimento da economia da Zona Euro para 1,2% este ano

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião