Lucros do Crédito Agrícola caem 23% para 172,2 milhões de euros no primeiro semestre

A instituição financeira liderada por Sérgio Raposo Frade foi impactada pelo contexto de queda dos juros, tendo em conta que a margem financeira recuou 16,4%.

O Crédito Agrícola lucrou 172,2 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, o que corresponde a uma diminuição de 23,3% comparativamente com a primeira metade do ano passado.

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A instituição financeira foi impactada pelo contexto de queda dos juros, tendo em conta que a margem financeira (diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos) recuou 16,4%, para 333,5 milhões de euros.

Destaque ainda para o crescimento de 6,9% nos custos de estrutura, para 234,7 milhões de euros, na sequência do aumento homólogo de 9,3% — ou 12,5 milhões de euros — nos custos com pessoal, essencialmente revisão da tabela salarial, contratações e prémios.

O produto bancário core fixou-se em 467,7 milhões de euros, menos 10,2%, devido à queda de 65,4 milhões de euros na margem financeira (-16,4%) para 333,5 milhões de euros. Ainda assim, registou-se um crescimento de 18,6% nos resultados de contratos de seguros (8,7 milhões de euros) e de 5% nas comissões líquidas (3,8 milhões de euros).

A carteira de empréstimos cresceu 5% em relação a dezembro de 2024, para 13.430 milhões de euros, cifrando-se a quota de mercado do Crédito Agrícola em 6,1%. Por sua vez, os depósitos ascenderam a 22.594 milhões de euros no final de junho (+2,6%), sendo que a fatia de mercado está nos 8,1%.

Quanto às imparidades e provisões foram reforçadas em 3,1 milhões de euros, o que compara com um reforço líquido de 7,5 milhões de euros no período homólogo.

Neste contexto, a empresa agora liderada por Sérgio Raposo Frade registou uma rentabilidade de capitais próprios de 11,8% (também abaixo dos anteriores 17,7%).

Num semestre marcado por elevada incerteza e com taxas de juro em redução na zona euro, o grupo Crédito Agrícola continuou a demonstrar a sua capacidade de crescimento, performance e a sua resiliência”, comentou o presidente do grupo, na mensagem que acompanha o relatório financeira.

Sérgio Raposo Frade destaca ainda a manutenção da “estratégia de melhoria da qualidade dos seus ativos, um trajeto reconhecido pela Moody’s, que elevou o Baseline Credit Assessment da Caixa Central em um nível para Baa1. “Este upgrade é um marco importante no reconhecimento do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido”, realça.

Os resultados apresentados esta quarta-feira ainda correspondem à era de Licínio Pina e foram os últimos aos quais deu a cara enquanto presidente executivo do Crédito Agrícola, uma vez que só na semana passada entrou em funções a nova administração.

Sob a nova liderança de Sérgio Raposo Frade, a gestão da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo para o triénio 2025-2027 iniciou os trabalhos após o aval do Banco de Portugal. O CEO — que era o administrador financeiro desde 2017 — foi eleito em assembleia geral com mais de 96% dos votos das caixas associadas — e faz-se acompanhar pelos vogais Ana Paula Ramos, Ana Garcia Rodrigues, Filomena Ferraz de Oliveira, João Laranjeira, José Henriques e Rodolfo Varela Pinto.

Na vice-presidência do Conselho Geral e de Supervisão está João Nuno Mendes, que foi secretário de Estado das Finanças nos governos de António Costa, mais precisamente secretário de Estado das Finanças e do Tesouro.

Notícia atualizada às 11h33

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