Gomes Cravinho chama embaixador russo para prestar esclarecimentos sobre morte de Navalny
O opositor de Putin morreu na passada sexta-feira, numa prisão na Rússia onde estava a cumprir uma pena de 19 anos sob "regime especial".
O embaixador da Rússia foi convocado esta terça-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) para “prestar esclarecimentos” na sequência da morte de Alexei Navalny, um opositor político do Kremlin que morreu no final da semana passada.
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“O Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o Embaixador da Federação Russa em Lisboa para prestar esclarecimentos no seguimento da morte de Alexei Navalny, um dos principais opositores políticos do regime de Vladimir Putin”, lê-se no comunicado enviado às redações pelo ministério tutelado por João Gomes Cravinho, que segue, assim, uma ação levada a cabo noutros países.
Na passada sexta-feira, o chefe da diplomacia portuguesa lamentou a morte de Navalny, pela qual atribui responsabilidades ao Presidente russo. “Presto homenagem a Alexei Navalny, que resistiu ao regime de Putin e lutou pela democracia na Rússia. Putin, que exerceu o seu poder arbitrário prendendo-o em circunstâncias cada vez mais draconianas, é responsável pela sua morte“, escreveu o governante, numa publicação na rede social X (antigo Twitter).
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O embaixador da Rússia em Portugal, Mikhail Kamynin, reagiu à morte de Navalny no mesmo dia, criticando a comunicação social portuguesa. “Antes de aparecer informação completa sobre as circunstâncias da morte de Alexei Navalny, o espaço mediático local encheu-se de sentenças condenatórias contra o nosso Estado”, afirmou o representante diplomático.
Para Mikhail Kamynin, “a cobertura tendenciosa desta notícia está em plena sintonia com a retórica hostil dos media portugueses que durante os últimos dois anos têm impingido ativamente ao seu público uma imagem ‘demoníaca’ da Rússia”.
A morte de Navalny, aos 47 anos, foi publicamente conhecida na sexta-feira. O crítico do Presidente russo cumpria uma pena de 30 anos por vários crimes, que o ativista dizia serem motivados apenas pela sua oposição ao regime. Foi detido em 2021, na Rússia, logo após ter regressado da Alemanha, onde esteve a recuperar de um ataque com veneno de que foi alvo em 2020.
No verão do ano passado, foi condenado a mais 19 anos de prisão, além da pena de 11 anos e meio que já cumpria. Nessa altura, Alexei Navalny afirmou que estava “a cumprir uma pena de prisão perpétua” — fosse até ao fim da sua vida ou até ao fim da vida do regime. Morreu a um mês das eleições presidenciais na Rússia, que deverão permitir a Putin manter-se no poder por mais seis anos.
(Notícia atualizada às 18h59)
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