Dense Air tenta livrar-se das licenças 5G mais antigas
Operadora diz estar a pagar taxas "cinco vezes" mais caras que as outras operadoras pelas licenças 5G que tinha herdado de outra empresa. Decisão da Anacom pode beneficiar a Nowo e a Digi.
A Dense Air, uma operadora grossista, quer ver-se livre das licenças que já tinha antes do leilão do 5G. A empresa informou a Anacom que pretende “devolver imediatamente” essas frequências, com efeito retroativo a novembro de 2020, alegando que lhe estão a ser cobradas taxas “cinco vezes superiores às taxas cobradas” às outras operadoras pelo espetro usado na quinta geração.
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Este pedido da Dense Air foi submetido em julho, mas só foi tornado público este mês pela Anacom. O regulador avaliou a questão e entendeu que pode ser revogado o direito de utilização de frequências da Dense Air que é anterior ao leilão do 5G, mas considerou não ser possível a “atribuição de eficácia retroativa ao ato de revogação”, ao contrário do que pretendia a operadora. A decisão pode beneficiar a Nowo e a Digi.
Mas vamos por partes. Resumidamente, a Dense Air já tinha licenças 5G antes do leilão porque herdou esse espetro de outra empresa, que o tinha adquirido para outro fim. Essas licenças expiram em 2025 e, antes do leilão do 5G, a Anacom optou por reconfigurar o espetro da Dense Air, uma decisão que foi muito contestada pelas operadoras estabelecidas, que exigiam que as licenças fossem retiradas à empresa.
No leilão do 5G, promovido pela Anacom, foram então disponibilizados duas categorias de lotes com preços de reserva mais baixos, por estarem sujeitos a restrições até 2025. Esse espetro acabou por ser adquirido pela Nowo, pela Digi e pela própria Dense Air, que aproveitou o leilão para, na prática, prolongar alguns dos seus direitos de utilização por 20 anos.
A Dense Air investiu cerca de 5,8 milhões de euros para comprar 40 MHz de espetro na faixa dos 3,6 GHz, em lotes sujeitos às referidas restrições. No entanto, a empresa não estava à espera que a Anacom lhe cobrasse as taxas de espetro que lhe está a cobrar, até porque, por decisão do Governo tomada em 2020, as licenças do 5G vendidas no leilão estão sujeitas a valores mais reduzidos.
“As taxas de espetro de radiofrequências inesperadamente aplicadas pela Anacom ao Legacy Spectrum […] reforçaram uma posição de desvantagem injusta que, nesta fase, não pode ser ultrapassada sem ações concretas que eliminem estas circunstâncias para o futuro e que corrijam o seu impacto passado na Dense Air. Aliás, tendo em conta que os direitos sobre o Legacy Spectrum caducarão em 2025, o valor subjacente a este recurso é muito inferior ao valor dos direitos que se mantém por 20 anos”, alega a Dense Air, citada no sentido provável de decisão da Anacom.
Além disso, a Dense Air alega que, quando lhe foi reconfigurado o espetro, foi-lhe “assegurado, como contrapartida, um tratamento justo e equitativo entre todos os detentores do espetro 5G”.
A deliberação da Anacom ainda é preliminar e está em consulta pública até 17 de novembro. Decorre ainda uma fase de audiência prévia, porque o regulador entendeu que a decisão, ainda que parcialmente deferida, “tem impacto significativo no mercado”. Caso se torne efetiva, como se espera, a revogação das licenças antigas da Dense Air “implicará, designadamente, a eliminação das restrições previstas” nos direitos atribuídos à Nowo e à Digi, em benefício destas empresas.
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