Marcelo afasta envio do pacote Mais Habitação para o Constitucional

  • Ana Petronilho
  • 17 Agosto 2023

Presidente da República diz que não vê questões de inconstitucionalidade no diploma, nem mesmo no arrendamento coercivo. Decisão já está tomada e será política.

O Presidente da República afasta o envio para o Tribunal Constitucional da legislação do Mais Habitação, sendo que termina esta quinta-feira o prazo para o envio do diploma para os juízes do Palácio Ratton. Em declarações à CNN, Marcelo Rebelo de Sousa disse que depois de uma análise aos diplomas aprovados na Assembleia da República “não vê qualquer inconstitucionalidade nas medidas, nem mesmo no chamado arrendamento coercivo”.

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Desta forma, a decisão do chefe de Estado – que recebeu o diploma em Belém dia 9 deste mês – vai passar por uma questão política, havendo duas opções em cima da mesa: promulgação ou veto. “Entendo que a questão que se levanta não é uma questão de constitucionalidade entramos agora no período até dia 20 em que vou verdadeiramente focar a atenção na questão política”, disse Marcelo Rebelo de Sousa em declarações à CNN.

Entendo que a questão que se levanta não é uma questão de constitucionalidade entramos agora no período até dia 20 em que vou verdadeiramente focar a atenção na questão política.

Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da República

O Chefe de Estado adiantou ainda que já tomou uma decisão. “Já decidi, mas como tudo na vida é uma ponderação com argumentos mais ou menos favoráveis”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações num a praia no Algarve, acrescentando: “Era bom que ficasse claro que não era por razão de violação da Constituição”.

Ao contrário do que aconteceu esta quinta-feira com o decreto do Parlamento que descriminalizou as drogas sintéticas e fez uma nova distinção entre tráfico e consumo aprovado em 19 de julho. O Chefe de Estado optou por enviá-la para o Tribunal Constitucional por “falta de consulta” dos órgãos de Governo das regiões autónomas da Madeira e Açores.

De acordo com as normas da Constituição, termina esta quinta-feira o prazo para o Presidente enviar o diploma para os juízes do Palácio Ratton. Mas Marcelo tem ainda mais 12 dias para decidir se veta ou promulga o pacote Mais Habitação.

No entanto, o Presidente quer tomar a decisão antes de viajar para a Polónia para uma visita de Estado entre os dias 20 e 25 de agosto, sendo que segue, posteriormente, para São Tomé para a reunião XIV Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre entre os dias 21 e 27 de agosto.

O pacote legislativo Mais Habitação que sofreu bastantes alterações face aos documentos iniciais foi aprovado pelo Parlamento a 19 de julho, apenas com o voto favorável do PS. PSD, BE, PCP, Iniciativa Liberal e Chega votaram contra. Livre e PAN abstiveram-se.

Antes de chegar ao Parlamento o conjunto de diplomas – que mereceu forte contestação dos promotores, dos proprietários, dos inquilinos e do alojamento local – esteve durante três meses em discussão pública, depois de terem sido aprovados e apresentados pelo Governo, de forma faseada, desde 16 de fevereiro. Alguns dos diplomas do pacote Mais Habitação já foram promulgados por Marcelo Rebelo de Sousa.

Caso o Presidente da República ‘chumbe’ o diploma será a 28.ª vez que Marcelo usa o poder de veto. Desde que chegou a Belém, Marcelo já vetou 27 diplomas, dos quais cinco incidiram sobre decretos do Governo e 22 sobre legislação da Assembleia da República. Foi em 2018 e 2020 que mais diplomas foram chumbados: seis em cada ano.

O último ‘chumbo’ do Presidente aconteceu no final do mês de julho, com o veto ao diploma do Governo sobre o tempo congelado dos professores.

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