Governo diz que “são os impostos dos portugueses que pagam esforço” nos certificados
João Nuno Mendes voltou a afastar a influência da banca na decisão de baixar a taxa de juro dos Certificados de Aforro, argumentando que tinha sido tomada em meados de abril.
Face às críticas sobre as recentes mudanças nos Certificados de Aforro, o Governo lembrou que “são os impostos dos portugueses que pagam esforço” do Estado no que toca à remuneração da dívida pública e voltou a afastar a influência dos bancos numa decisão que já tinha sido tomada em meados de abril, antes das declarações de alguns responsáveis bancários.
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“São os impostos dos portugueses que pagam os certificados”, reiterou o secretário de Estado das Finanças esta quarta-feira numa audição na Comissão de Orçamento e Finanças a pedido do PCP por causa da decisão de acabar com a Série E dos Certificados de Aforro e substituir por uma nova série com uma taxa de juro mais baixa.
Foram várias as críticas lançadas pelos deputados, que acusaram o Governo de ter cedido aos bancos ao baixar a taxa dos novos certificados lançados no início deste mês.
“Estavam a ficar incomodados com a transferência de poupanças dos depósitos para os Certificados de Aforro, mas tinham um bom remédio: aumentar os juros dos depósitos para segurar os clientes. Em vez disso, o que aconteceu foi que a banca manifestou o incómodo e o governo remove o único obstáculo que empurrava os bancos a subirem os juros dos depósitos”, acusou o deputado do PCP Duarte Alves.
João Nuno Mendes rejeitou esta ideia, argumentando que a decisão de lançar a nova série foi tomada muito tempo antes das declarações públicas de alguns responsáveis dos bancos – nomeadamente de João Moreira Rato, presidente do Banco CTT e ex-líder do IGCP — e que se baixou a remuneração para se alinhar os certificados com as outras fontes de financiamento do mercado.
Segundo afirmou, a decisão de acabar com a Série E e lançar a Série F com condições menos atrativas tinha sido tomada em meados de abril, informação que estava na posse de um grupo restrito de pessoas no ministério e IGCP, e que foram precisas cerca de seis semanas para se operarem estas mudanças técnicas tanto nos canais físicos como digitais.
“Temos sempre demonstrado em relação à banca uma total independência”, insistiu o secretário de Estado, lembrando que foi o Governo quem acabou com a comissão de reembolso antecipado no crédito da casa no final do ano passado e que também tem prestado apoio ao Parlamento em iniciativas legislativas que eliminaram várias comissões bancárias.
João Nuno Mendes apontou várias vezes para a lei-quadro da dívida pública, que determina que o IGCP deve fazer uma gestão eficiente da dívida pública, com vista à redução dos encargos no médio prazo e a promoção da sua sustentabilidade.
Algo que não estava a ser alcançado com a corrida aos Certificados de Aforro nos últimos meses, notou o responsável, revelando 600 mil dos 900 mil aforradores com certificados tinham aplicações na Série E, situação que pode criar perturbações futuras porque se concentrará um grande montante de amortizações daqui a dez anos.
Argumentos que não convenceram os deputados. Mariana Mortágua, coordenador do Bloco de Esquerda, ripostou dizendo que mais vale pagar juros aos portugueses do que aos investidores internacionais, lembrando a questão fiscal. Também contestou o facto de o Governo, ao baixar os juros dos novos certificados, ter acabado com a única concorrência que os bancos tinham para subir as taxas dos depósitos.
O secretário de Estado respondeu que “os governos e Estados não podem fazer tudo” e evidenciou o papel que as famílias também têm para forçar a banca a melhorar a remuneração das poupanças.
“As pessoas têm um peso com a sua decisão. É uma perda enorme para um banco quando perde um cliente. Temos de incentivar as pessoas a serem exigentes com os bancos. Há bancos com taxas mais elevadas. Por que é que não vou mobilizar as minhas poupanças?”, observou João Nuno Mendes.
(Notícia atualizada às 12h26)
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