Bruxelas quer escolha imparcial e transparente no Banco de Fomento

Bruxelas recusa fazer qualquer comentário ao alegado envolvimento de Vítor Fernandes na operação Cartão Vermelho. Mas o ECO sabe que a Comissão Europeia quer que processo respeite as regras.

A Comissão Europeia espera que a escolha da liderança do Banco Português do Fomento seja feita de modo imparcial e transparente e de acordo com as regras existentes, apurou o ECO. No entanto, Bruxelas recusa fazer qualquer comentário ao alegado envolvimento na operação Cartão Vermelho de Vítor Fernandes, que foi nomeado chairman do banco promocional.

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“Não temos qualquer comentário específico sobre esta matéria”, disse ao ECO fonte oficial do executivo comunitário, quando questionada sobre se a Comissão estava a seguir o caso ou falado com as autoridades nacionais sobre o mesmo. Isto tendo em conta que o nome de Vítor Fernandes recebeu “luz verde” do Banco de Portugal para assumir funções como presidente do Conselho de Administração do Banco de Fomento, mas o juiz de instrução Carlos Alexandre determinou que o antigo administrador do Novo Banco é uma das pessoas com quem Luís Filipe Vieira está impedido de contactar, no âmbito das medidas de coação impostas.

Entretanto, o ministro da Economia optou por deixar Vítor Fernandes em stand by e não avançar com a sua nomeação até “as questões estarem completamente clarificadas”, explicou Siza Vieira no Parlamento. O ECO questionou Vítor Fernandes sobre se, perante esta opção do Executivo, ponderava afastar-se do cargo. Ainda não obteve resposta.

A escolha e seleção das personalidades que vão liderar o Banco Português de Fomento cabe às autoridades portuguesas — embora a lista de nomes tenha de passar pelo crivo do Banco de Portugal, que supervisiona a banca, e da CReSAP, já que é uma instituição que se rege pelo estatuto do gestor público. Os nomes já estão a ser analisados pela CReSAP, que tem dez dias para o fazer.

O ECO questionou a presidente da instituição, Maria Júlia Ladeira, se o alegado envolvimento de Vítor Fernandes no caso Luís Filipe Vieira vai ser tido em conta na avaliação do mesmo, mas não obteve resposta até à publicação deste artigo. No entanto, de acordo com o ex-presidente da instituição, João Bilhim, o seu envolvimento na operação Cartão Vermelho não deverá ser tido em conta.

A seleção da equipa é feita com base no mérito dos candidatos para as diferentes posições e este é um ponto de que Bruxelas não abre mão, apurou o ECO. O ministro da Economia também já fez questão de sublinhar no Parlamento que “os gestores que estarão no Banco de Fomento são ‘à prova de bala’, independentes e imparciais”.

Para Bruxelas, o processo de escolha deve ser feito respeitando as regras aplicáveis neste caso e garantindo um processo transparente e imparcial.

À luz das revelações do Ministério Público, o Banco de Portugal já disse que vai analisar as novas informações trazidas com o caso que levou à detenção do presidente do Benfica e ao seu afastamento da liderança do clube. O supervisor admitiu que pode ter de reavaliar a idoneidade do gestor que também foi administrador do BCP e da Caixa Geral de Depósito, bem como presidente executivo da Segurança Mundial Confiança.

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