Exclusivo Segurança Social vai criar 18 brigadas de emergência para surtos nos lares

A Segurança Social vai criar 18 brigadas de emergência para reforçar os recursos humanos nos lares mais afetados pela pandemia de coronavírus, revelou ao ECO o Ministério de Ana Mendes Godinho.

A Segurança Social vai criar 18 brigadas de intervenção rápida para reforçar temporariamente os recursos humanos dos lares, face ao impacto da pandemia de coronavírus nessas instituições, avançou ao ECO o Ministério de Ana Mendes Godinho. Depois dos surtos nos lares de Reguengos de Monsaraz e do Barreiro, a Segurança Social está disponível para financiar diretamente as equipas de emergência, em vez de esperar pelas respostas previstas nos protocolos de reação já em vigor.

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Em causa estão equipas de médicos, enfermeiros, ajudantes de ação direta e auxiliares de serviços gerais, que serão recrutadas e geridas pela Cruz Vermelha, em articulação com a Segurança Social. Estas brigadas de emergência serão destacadas consoante as necessidades pontuais das instituições que se encontrem “numa situação de fragilidade na resposta a surtos de Covid-19”.

Numa altura em o país se prepara para uma eventual segunda vaga e depois dos surtos em lares em Reguengos de Monsaraz e no Barreiro, o Governo adianta ao ECO que estas equipas de emergência serão colocadas não só em instituições com insuficiência de recursos humanos “para a manutenção das atividades decorrente de baixas ou ausências por doença Covid-19, quarentena e ou isolamento profilático”, mas também em instituições onde ocorram surtos de Covid-19, sendo necessário separar os utentes.

Os lares nessas condições devem remeter o pedido para os centros distritais, que avaliarão os requerimentos e definirão o número de profissionais necessários. Caberá, depois, à Cruz Vermelha constituir e acionar uma brigada em resposta.

Uma vez integrados nos lares, estes profissionais de emergência obedecerão à “organização, orientação técnica e desenvolvimento de atividades nos moldes requeridos” pelas instituições, ainda que previamente a Cruz Vermelha e a Segurança Social também tenham uma palavra a dizer sobre os procedimentos a adotar na integração destas equipas.

De resto, os profissionais destas brigadas de intervenção rápida terão de ficar em quarentena e fazer o teste à Covid-19, sempre que terminem o apoio num determinado lar e antes de integrarem outra resposta social.

Esta medida do Ministério de Ana Mendes Godinho é lançada numa altura em que a governante admitiu faltarem recursos humanos nos lares e após o surto de Covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz, onde morreram 18 pessoas. “No caso de Reguengos, a grande dificuldade foi encontrar funcionários quando muitos ficaram doentes. É preciso aumentar a aposta nos recursos humanos do setor social”, disse a Ministra do Trabalho, em entrevista ao Expresso (acesso pago).

Mais recentemente, um surto num lar no Barreiro infetou mais de meia centena de utentes e funcionários e provocou quatro mortes, tendo o presidente da União de Misericórdias Portuguesas dito que os “médicos do centro de saúde” da região se terão “recusado a dar apoio” à instituição em causa. Entretanto, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo já desmentiu esta acusação.

Por lei, os lares de idosos não são obrigados a ter médicos, mas em abril a ministra da Saúde determinou que os doentes com Covid-19 residentes nessas instituições e cuja situação clínica não exija internamento hospitalar devem ser acompanhados pelos médicos de família e pelos enfermeiros dos respetivos agrupamentos de centros de saúde, em articulação com os hospitais da sua área de saúde. As brigadas de intervenção rápida que serão agora criadas e financiadas pela Segurança vêm reforçar esse acompanhamento.

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