PSD propõe que empresas encerradas possam descontar metade das férias dos trabalhadores
A proposta do PSD é que as empresas afetadas pelo coronavírus possam obrigar os trabalhadores a descontar metade das suas férias a este período em que não estão a trabalhar.
O PSD propõe uma flexibilização do regime de férias durante o período da crise para que as empresas afetadas pelo coronavírus possam afetar metade das férias dos trabalhadores ao período de tempo em que estejam sem trabalho.
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“As empresas encerradas ou que tenham enviado trabalhadores para casa sem ser em teletrabalho, por força da quebra da sua faturação durante o estado de emergência ou de outras condicionantes que, de seguida, venham a ter de ser implementadas, podem afetar metade das férias desses trabalhadores a esse período de tempo“, propõem os sociais-democratas no documento apresentado esta segunda-feira.
A intenção do maior partido da oposição é que já em abril as empresas que fechem temporariamente possam usar metade das férias dos seus trabalhadores para “mitigar o impacto da quebra de atividade”.
Os sindicatos têm defendido que é “ilegal” forçar ou trabalhadores a gozarem férias, até porque neste momento de pandemia não estão reunidas as condições para a tal recuperação física e psíquica inscrita na lei. Contudo, a antecipação das férias tem sido utilizada por várias empresas, nomeadamente em acordos com os trabalhadores.
O Governo já mexeu nas férias, mas apenas para prolongar a data até à qual o mapa de férias tem de ser publicado. No novo decreto que regulamenta o prolongamento do estado de emergência, as empresas e os trabalhadores passam a poder decidir o mapa de férias deste ano até 10 dias após o fim do estado de emergência, o qual vai ser prolongado até 17 de abril, sem prejuízo de haver renovação. O prazo normal é até 15 de abril.
Além das férias, o PSD propõe também uma flexibilização do uso do banco de horas durante este mesmo período. “As empresas que tiveram quebras superiores a 25% na sua faturação podem gerir com critérios mais alargados os bancos de horas dos seus trabalhadores” durante o estado de emergência e até 180 dias após o seu fim, sugerem os sociais-democratas. Também esta proposta tem como objetivo uma recuperação mais rápida por parte das empresa no pós-pandemia.
Ainda no capítulo do mercado de trabalho, o PSD também propõe a “desburocratização e alargamento do acesso ao lay-off“. Como? Em primeiro lugar, os sociais-democratas querem que o Estado pague a parte do salário (70%) diretamente aos trabalhadores e não como reembolso às empresas “dado que muitas não têm tesouraria para suportar esse gasto”.
Além disso, o PSD quer que haja um acesso simplificado ao lay-off “por mera declaração dos responsáveis da empresa e do contabilista certificado, para todas as empresas que sofreram uma quebra superior a 30% na faturação, em períodos de duas semanas (face ao período anterior ou face ao período homólogo de 2019)”. E ainda que as empresas tenham a possibilidade de pagar a totalidade da remuneração perdidas dos funcionários em lay-off, sem perder acesso ao regime, até um máximo de 1.905 euros
O PSD reitera também a posição já anunciada por Rui Rio de que defende o alargamento do lay-off ao sócio-gerente, equiparando-o a um trabalhador. “Esta proposta é de elementar justiça, relativamente a trabalhadores que, por terem uma participação no capital social das empresas, não têm qualquer apoio social nesta circunstância”, argumenta o partido.
(Notícia atualizada às 17h57 com mais informação)
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