Bloco quer restrições a automóveis em mais zonas de Lisboa
O Bloco de Esquerda saudou a iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa em restringir o trânsito automóvel na zona da Baixa-Chiado, mas defende que a medida devia ser alargada a mais pontos da capital.
O Bloco de Esquerda (BE) saúda a iniciativa da Câmara de Lisboa de restringir o trânsito automóvel na zona da Baixa-Chiado, a partir do verão, mas defendeu que “é urgente” ir além da “zona mais turística” da cidade.
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“O Bloco saúda esta tomada de iniciativa que, no entanto, ainda carece de aprovação em reunião [do executivo]”, explicita o comunicado enviado pela vereação bloquista às redações, sublinhando que o partido “já tinha avançado com esta medida (…) na semana passada”.
O BE propôs em 29 de janeiro a criação de “zonas de emissão [de dióxido de carbono] zero” na Avenida da Liberdade, Baixa-Chiado e Ribeira das Naus (Terreiro do Paço – Cais do Sodré), através do encerramento das artérias destas zonas ao trânsito de não-residentes.
O executivo camarário, liderado por Fernando Medina (PS), apresentou dois dias depois uma medida para restringir a circulação de automóveis na zona da Baixa-Chiado, exceto a residentes, portadores de dístico da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) e veículos autorizados, entre as 06h30 e as 00h00, a partir de julho/agosto.
A nota emitida adianta que “apesar de significar um sinal claro de avanço em matéria de qualidade de vida, combate à urgência climática e em saúde pública, é urgente” alargar esta medida além da “zona mais turística” da capital.
A vereação bloquista refere também que as zonas de Parque das Nações, Telheiras (freguesia de Lumiar) e o Cais do Sodré – que constava na proposta apresentada pelo BE – “apresentam níveis de poluição superiores” à nova Zona de Emissões Reduzidas (ZER) Avenidas/Baixa-Chiado.
O BE propõe, por isso, a criação de “quarteiros onde as ruas estão fechadas ao trânsito”, exceto para “veículos não poluentes, transportes públicos, residentes e veículos prioritários e/ou autorizados”.
O partido, que tem um acordo de governação da cidade firmado com o PS depois das últimas eleições autárquicas, em 2017, considera que esta medida deve abranger “de imediato” as zonas da Avenida da Liberdade e Ribeira das Naus.
O Parque das Nações, Belém e a Avenida Almirante Reis – que atravessa as freguesias de Areeiro, Arroios e Santa Maria Maior – devem “ter medidas de controlo ao tráfego automóvel através da implementação de mais zonas de velocidade máxima de 30km/h, ciclovias e vias exclusivas aos transportes públicos”.
O Bloco propõe também a implementação do “conceito de emergência de saúde pública” quando a poluição ultrapassar “os limites da Organização Mundial de Saúde”. Nestes casos, deverá ser “implementada a redução obrigatória da velocidade, proibição de circulação e estacionamento automóvel” e os transportes públicos devem ser gratuitos.
“Lisboa está a dar um passo essencial na direção correta, mas tem de fazer mais. Pela saúde pública de quem cá vive, trabalha e estuda”, afirma o partido.
De acordo com a medida camarária apresentada na sexta-feira, entre as 06:30 e as 00:00 não poderão circular veículos com mais de 7,5 toneladas, exceto pesados de passageiros autorizados, viaturas de higiene urbana e veículos de emergência.
Com exceção de veículos de residentes e de cidadãos com mobilidade reduzida, é também proibida a circulação de viaturas anteriores ao ano de 2000.
Os veículos das forças e serviços de segurança, de proteção civil e serviços em missão de urgência, veículos funerários em serviço, motociclos, ciclomotores e velocípedes não precisam de dístico.
A vereação do PSD mostrou-se contra a proposta do PS, enquanto CDS-PP e PCP apresentaram reservas em relação às medidas apresentadas.
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