Empresas portuguesas enfrentam comissões para converterem dívidas pagas por Angola

  • ECO
  • 6 Março 2019

As empresas portuguesas que já conseguiram reaver parte das dívidas do Estado angolano dizem estar a ser confrontadas com comissões da banca comercial que podem chegar a 30%.

Tanto Marcelo Rebelo de Sousa como o Governo angolano têm afirmado que a questão da dívida do Estado de Angola às empresas portuguesas “está a ser trabalhada a todo o vapor” e que “já não é matéria especial”. A verdade é que, por parte destas empresas, as dificuldades neste processo continuam a ser sentidas. Aquelas que já receberam uma parte das dívidas, dizem ser confrontadas com comissões da banca comercial para as conseguirem converter.

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São cerca de 700 milhões de euros em dívidas, vindas de mais de 20 entidades angolanas, desde ministérios a governos provinciais. Na semana passada, o ministro angolano das Finanças, Archer Mangueira, disse que até agora foram certificados créditos de 265 milhões de euros e que destes já foram pagos 144 milhões. Mas, da parte das empresas portuguesas, as dificuldades mantêm-se, adianta o Jornal de Negócios (acesso pago).

As cerca de duas dezenas de entidades nacionais com os valores mais elevados — algumas como Mota-Engil, Teixeira Duarte, Grupo Elevo/Edifer, Lena, Somague –, várias já conseguiram certificar parte da dívida, mas só algumas viram autorizados pagamentos que, em certos casos, não chegaram a 5% da verba reclamada.

Somado a isso está ainda o facto de Angola estar a pagar em obrigações do tesouro indexadas ao kwanza, o que obriga muitas destas empresas a ter de monetizar estes valores e converter os kwanzas em euros. Operações essas que abarcam com comissões por parte dos bancos comerciais — escolhidos pelo Estado angolano –, que chegam a ascender aos 30% da verba paga.

Apesar de as empresas “considerarem um sinal positivo que o Governo angolano entenda que a questão das dívidas já não é uma preocupação“, Manuel Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) acrescenta que “para elas ainda é [uma preocupação], e precisam de ver regularizada a situação”.

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