Governo já entregou oficialmente em Bruxelas a reprogramação do Portugal 2020

Bruxelas pretende entregar a decisão formal antes do final de 2018, apurou o ECO junto de fonte comunitária.

O Governo português já entregou formalmente o exercício de reprogramação do atual quadro comunitário de apoio à Comissão Europeia, confirmou ao ECO fonte oficial do Ministério do Planeamento e Infraestrturas. Em causa está a reafetação de 2,93 mil milhões de euros, que passam de umas gavetas para outras, ou seja de áreas com pouca execução para outras onde já faltam fundos comunitários.

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“A documentação seguiu na sexta”, dia 20 de julho, avançou a mesma fonte. “A expectativa é de que só haja desenvolvimentos em setembro”, acrescentou.

O porta-voz da Comissão Europeia confirmou, esta segunda-feira, ao ECO a receção de todos os programas alterados da Política de Coesão enviados pelas autoridades portuguesas.

O ECO apurou junto de fonte comunitária que Bruxelas pretende entregar a decisão formal antes do final de 2018. As regras determinam que a Comissão depois de receber as propostas — as primeiras a chegar foram as do Programa Operacional da Madeira, Po Açores e o Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), sabe o ECO — tem um mês para fazer comentários e pedir esclarecimentos adicionais, aos quais os Estados membros são obrigados a dar resposta. Mas em agosto os serviços da Comissão estão praticamente fechados devido às férias. Contudo, como houve uma negociação informal entre o Governo português e os serviços da comissária da Política Regional, Corina Cretu, ao longo dos últimos meses, é previsível que o exercício de reprogramação esteja mais ou menos limpo.

Recorde-se, tal como o ECO avançou, que Bruxelas pôs em causa várias opções do Executivo nacional, nomeadamente em termos de mobilidade urbana — o projeto de mobilidade do Mondego, que começou por ser no papel um papel, mas agora passou a ser um autocarro, foi dos que mais controvérsia gerou –, tendo mesmo sugerido que o Plano Juncker seria mais indicado para financiar alguns depois projetos e não os fundos estruturais do Portugal 2020.

Houve também exigências em termos de criar novos indicadores e objetivos de empregabilidade para os projetos apoiados com verbas de Bruxelas, nomeadamente através do Programa Operacional Capital Humano (POCH). “A Comissão Europeia encorajou Portugal a rever, e quando relevante, definir novos indicadores e objetivos de empregabilidade, tal como especificado nas atuais regras do Fundo Social Europeu”, disse ao ECO, fonte comunitária. Ou ainda as opções que punham em causa o equilíbrio entre o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e o Fundo Social Europeu, o respeito da concentração temática, etc.

Mas apesar de este exercício não ter conclusão prevista nas próximas semanas, isso não significa que o Governo não possa lançar novos concursos, nomeadamente para empresas, cuja aprovação de candidaturas é feita em regime de overbooking há pelo menos cinco meses, segundo os últimos dados disponíveis. Isto porque as despesas são elegíveis desde o momento de lançamento do concurso. “A dotação dos fundos que apoiam o investimento empresarial será reforçada em 650 milhões de euros”, no âmbito deste exercício de reprogramação, de acordo com o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão. Ou seja, o sistema de incentivos ficará com uma dotação global de 4.633 milhões de euros.

(Notícia atualizada segunda-feira 30 de julho com a confirmação oficial do porta-voz da Comissão Europeia)

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