Manuela Ferreira Leite fala aos deputados sobre a dívida: “Não é possível pagá-la”
Manuela Ferreira Leite reiterou aos deputados a sua posição de que o pagamento da dívida não é possível a curto prazo. E um projeto a "30 e tal anos não se pode apresentar a nenhum país".
Manuela Ferreira Leite considera que a atual dívida de Portugal não é passível de ser paga, segundo afirmou a antiga ministra das Finanças no Parlamento esta segunda-feira. “A minha posição é de que não é possível pagá-la”, disse aos deputados do Grupo de Trabalho para a Avaliação do Endividamento Externo e Público.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google

“Todos os cálculos se baseiam em números de taxas de juros que não se vão verificar sempre, em taxas de crescimento que dependem muito da nossa envolvente externa”, afirmou a ex-ministra e antiga presidente do PSD, sublinhando assim que muito é imprevisível. Mesmo que essas condições se mantivessem, acrescentou, o projeto de pagar a dívida de Portugal, que neste momento se encontra acima dos 120% do PIB, é a muito longo prazo. Voltar para um limiar de cerca de 60% do PIB levaria cerca de 30 anos, defendeu. “Trinta e tal anos não é um projeto que se possa apresentar a nenhum país”, argumentou. “Conseguimos estar alguns anos em austeridade, sacrifício, isso é possível. Mas não é possível dizer que estaremos assim durante 30 anos”.
Assim, afirmou a ex-ministra, voltaria a subscrever, tal como fez em 2014, o que ficou conhecido como o Manifesto dos 74, que pedia a restruturação da dívida pública, com uma diferença: as autoridades europeias, defende, mudaram muito de posição desde então. “Assinei com consciência, e voltava a assinar se não tivesse mudado a posição das instâncias europeias em termos de rigidez”, continuou Manuela Ferreira Leite. “O ambiente e a rigidez das posições da União Europeia têm estado muitíssimo mais amenos”. A antiga ministra das Finanças foi questionada acerca do Manifesto dos 74 por João Galamba, deputado socialista que também subscreveu essa declaração.
Manuela Ferreira Leite deu o exemplo do caso da Grécia, cujo terceiro resgate está prestes a chegar ao fim. “Ninguém diria que a Grécia iria acabar a situação de resgate. Foi porque os olhos com que as instâncias europeias passaram a olhar se tornaram mais amenos. As consequências políticas resultantes de problemas de natureza social iam por um caminho que poderia ser o fim do projeto europeu“, avançou.
Inês Domingos, deputada do PSD, defendeu na mesma reunião do Grupo de Trabalho que, na perspetiva dos social-democratas, a redução da dívida para uma maior sustentabilidade terá de ser feita através de um “espírito reformista” por parte do Governo, uma posição que, de acordo com a deputada, o Governo não tem.
Manuela Ferreira Leite reconheceu ainda que, entre 2002 e 2004 quando exerceu o cargo de ministra das Finanças do Governo de Durão Barroso, “não havia problemas em relação à percentagem da dívida pública“. Assim, embora nesse tempo se tivesse preocupado com a redução do défice, a dívida pública que então estava próxima dos 60% do PIB não lhe suscitava preocupação.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Manuela Ferreira Leite fala aos deputados sobre a dívida: “Não é possível pagá-la”
{{ noCommentsLabel }}