Uber? AdC aprova entrada, mas quer revisão legislativa
A presidente da Autoridade da Concorrência considera a entrada de operadores como a Uber no mercado português positiva para todos, mas defende que é preciso criar condições jurídicas para tal.
A presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) não tem dúvidas: a entrada de novos operadores de transportes como a Uber, no mercado português, é benéfica para todos. “Para nós, é positivo incluir novos entrantes“, sublinhou, esta terça-feira, Margarida Matos Rosa. No 16º Encontro de Gestores do Fórum de Administradores de Empresas, a economista deixou, no entanto, claro que é preciso rever a legislação para que “todos possam operar como entendem”, isto é, para que tenham liberdade de escolher entre tarifas fixas ou dinâmicas quer sejam taxistas ou condutores destas plataformas digitais.
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“Tem de haver condições jurídicas para que entrem”, assinalou a líder da AdC. Matos Rosa lembrou ainda que a entidade já fez um estudo com recomendações, “bastante extenso”, relativamente ao setor dos transportes, no qual defendeu o estabelecimento de regras comuns para todos mais flexíveis que as atuais, já que as normas que estão em vigor não estão a conseguir acomodar os novos modelos de negócio.
A AdC “vê com bons olhos a entrada de novos modelos de negócio, permitindo a todos operar dentro da legalidade e prestar serviços diferenciados”, reforçou a economista, que referiu como vantagens da entrada de empresas como a Uber, no mercado lusitano, a maior escolha, variedade e “até qualidade” oferecida assim ao consumidor português.

Eliminar barreiras, mitigar disrupções
A celebrar uma década e meia de existência este ano, a AdC assume como sua missão “eliminar as barreiras à entrada de novos players“, enquanto, simultaneamente, dedica atenção às possíveis disrupções causadas no mercado.
Além disso, e de acordo com Margarida Matos Rosa, esta entidade “é agnóstica em termos de nacionalidade”, isto é, pretende que qualquer empresa que atue em Portugal não sinta barreiras à sua entrada, até porque o consumidor gere-se, na sua generalidade, pela “variedade, preço e qualidade”.
A líder da AdC fez ainda questão de referir, esta terça-feira, que essa abertura à entrada de estrangeiros deve estender-se não só às empresas, mas também aos profissionais liberais. “Cada vez mais, as camadas mais jovens estudam e trabalham fora e depois querem regressar e esbarram em barreiras criadas pelas ordens. Espero que haja a força política para levar à eliminação das barreiras em várias profissões liberais“, enfatizou Matos Rosa.
Nesse sentido, a Autoridade da Concorrência está agora a finalizar um projeto em parceria com a OCDE sobre 12 profissões liberais e sobre o setor dos transportes. É um “trabalho que percorre toda a legislação”, contou a economista. Matos Rosa anunciou que serão feitas, no âmbito desse estudo, recomendações no sentido da eliminação de barreiras jurídicas.

Um novo prémio
A AdC “já merecia atingir a maioridade, mas ainda temos algumas dificuldades”, referiu Margarida Matos Rosa, quanto ao 15º aniversário da entidade. O principal desafio que a entidade enfrenta, diz a economista, é abarcar todos os setores “onde quer chegar”, até porque haverá sempre mais terreno para cobrir.
Margarida Matos Rosa anunciou ainda que será lançado o Prémio AdC de Política de Concorrência, com vista a incentivar a investigação académica no domínio da economia e do direito da concorrência.
No evento do Fórum dos Administradores de Empresas, a representante revelou, por fim, que a AdC estará atenta à concorrência nos setores que beneficiam da inovação digital, alertando para barreiras tecnológicas que possam impedir a entrada de novos concorrentes ou falsear a concorrência em diferentes mercados. Também nesse quadro, a entidade emitirá recomendações.
No último ano, a AdC recolheu 38,7 milhões de euros em coimas, tendo tomado duas decisões condenatórias, duas de compromisso e quatro de arquivamento. Para 2018, uma das metas destacadas é o foco em cartéis, uma vez que que esta é “a prática mais grave”.
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