EDP volta ao mercado de dívida este ano se BCE subir juros

Nuno Alves, administrador financeiro da EDP, diz que elétrica deverá voltar a emitir dívida este ano caso do BCE sinalize no próximo mês uma subida das taxas de juro de referência.

Nuno Alves, administrador financeiro da EDP, ganhou o prémio de melhor CFO.Paula Nunes / ECO

A EDP EDP 0,20% deverá voltar ao mercado de dívida ainda este ano caso o Banco Central Europeu (BCE) dê sinais de que vai começar a subir a taxa de juro de referência no próximo ano, disse ao ECO o administrador financeiro da elétrica portuguesa, Nuno Alves. Isto apesar da folga de liquidez conferida pela venda do negócio do gás natural em Espanha.

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“Uma nova emissão de dívida não está planeada, mas também não está excluída. Ainda não decidimos. Vendemos o negócio do gás natural em Espanha e temos o acordo para vender o gás em Portugal… É mais uma questão de saber como deverão evoluir as taxas de juro no próximo ano”, sublinhou Nuno Alves.

Vamos “antecipar a emissão se acharmos que daqui a um mês o BCE começa a subir as taxas”, referiu ainda o responsável financeiro da EDP ao ECO à margem dos prémios IRGA da Deloitte. Nuno Alves foi distinguido com prémio de melhor CFO.

A venda do negócio de gás natural em Espanha por 2,6 mil milhões de euros veio reforçar o balanço da empresa portuguesa, considerou Nuno Alves. “Ganhamos uma flexibilidade que não tínhamos até hoje. O balanço está muito mais forte”, frisou.

Cerca de 800 milhões de euros desta transação serviriam para financiar a oferta pública de aquisição sobre a EDP Renováveis, mas EDP só gastou 280 milhões na operação. De acordo com Nuno Alves, os restantes 520 milhões “serviram imediatamente para pagar a dívida”. Ainda assim, sobrou dinheiro.

"Uma nova emissão de dívida não está planeada, mas também não está excluída. Ainda não decidimos. Vendemos o negócio do gás natural em Espanha e temos o acordo para vender o gás em Portugal… É mais uma questão de saber como deverão evoluir as taxas de juro no próximo ano.”

Nuno Alves

Administrador financeiro da EDP

“O conselho de administração e os acionistas irão decidir o que fazer com esse excesso de dinheiro. Atingimos os rácios de dívida mais cedo do que era esperado o que não quer dizer que não se possa fazer alguma coisa. Baixar o rácio para um nível três vezes o EBITDA era para ser feito mais lentamente, até 2020. O que aconteceu é que metade do caminho ficou feito já. Agora o caminho é mais fácil até chegar a esse objetivo”, disse.

Melhoria de rating é boa para o país

Para Nuno Alves, a EDP não deverá beneficiar da melhoria do rating da República pela Standard & Poor’s para um nível fora de “lixo” porque a dívida da elétrica nacional já é considerada um investimento de qualidade pelas agências de notação financeira. Ainda assim, o administrador financeiro não deixa de sublinhar que se trata de uma decisão importante para as empresas nacionais.

“A melhoria do rating da República é sempre importante, nem que seja pela confiança dos investidores internacionais. Em termos de taxa de juro, não vai afetar muito a EDP porque já tinha esse rating, já beneficia do grau de investimento”, disse Nuno Alves.

“Mas é sempre melhor termos uma série de investidores que não olharia para Portugal e passam a olhar. E é sempre bom para as empresas nacionais”, revelou ainda.

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